Quantos óvulos são necessários na FIV?

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Iniciar um tratamento de fertilidade é um passo corajoso, cheio de esperança, mas também frequentemente acompanhado por incertezas e muitas dúvidas. É perfeitamente natural questionar-se sobre quantos óvulos são necessários na FIV, quantos folículos deverão ser observados nas ecografias ou quantos deles darão origem ao embrião que tanto deseja. Esta experiência é mais comum do que imagina, e é importante lembrar que não está sozinha neste percurso.

Na Next Fertility, o nosso objetivo é acompanhá-la em todas as etapas, oferecendo informação clara, transparente e baseada na evidência científica. Para compreender melhor as probabilidades de sucesso do seu tratamento de Fertilização In Vitro (FIV), é fundamental conhecer o percurso dos óvulos, desde a estimulação ovárica até à transferência embrionária. De seguida, explicamos passo a passo o que pode esperar relativamente ao número de óvulos necessários, tendo sempre presente que cada mulher é única e que cada tratamento segue o seu próprio ritmo.

Compreender a estimulação ovárica e a resposta do organismo

Num ciclo menstrual natural, o seu corpo seleciona apenas um óvulo (ou, ocasionalmente, dois) para amadurecer e ser libertado durante a ovulação. Contudo, num tratamento de reprodução assistida, o objetivo é maximizar as probabilidades de sucesso. Para isso, administra-se medicação hormonal que estimula os ovários, permitindo que vários folículos (as pequenas estruturas onde os óvulos se desenvolvem) amadureçam em simultâneo.

A quantidade de óvulos que pode ser recolhida depende sobretudo da sua reserva ovárica e da forma como o seu organismo responde à medicação. Em termos clínicos, distinguimos habitualmente três tipos de resposta:

  • Baixa resposta: obtêm-se até 3 óvulos. Esta situação é mais frequente em mulheres com baixa reserva ovárica, associada à idade ou a fatores genéticos e médicos. Se este for o seu caso, não desanime: existem estratégias personalizadas para otimizar a qualidade dos óvulos obtidos.
  • Resposta normal (normorrespondentes): recuperam-se entre 4 e 15 óvulos. Este intervalo é considerado o mais equilibrado entre segurança para a paciente e eficácia do tratamento.
  • Resposta elevada (hiper-respondedoras): obtêm-se mais de 15 óvulos. É mais frequente em mulheres jovens, dadoras de óvulos ou pacientes com Síndrome do Ovário Poliquístico (SOP). Nestes casos, a medicação é cuidadosamente monitorizada para reduzir o risco de síndrome de hiperestimulação ovárica.

A grande questão: é mais importante a quantidade ou a qualidade?

Quantos óvulos são necessários na FIV? É natural pensar que “quanto mais, melhor”. Embora um maior número de óvulos permita mais opções no laboratório, o verdadeiro fator determinante para o sucesso continua a ser a qualidade ovocitária.

Não basta recuperar 20 óvulos se estes não apresentarem qualidade suficiente para serem fecundados ou originarem embriões viáveis. Pelo contrário, é possível obter apenas 4 ou 5 óvulos e, se forem de excelente qualidade, as probabilidades de conseguir uma gravidez continuam a ser muito reais. A qualidade dos óvulos (e também dos espermatozoides) é determinante para o desenvolvimento embrionário, para a implantação no útero e para o nascimento de um bebé saudável.

O percurso no laboratório: o «funil» do desenvolvimento embrionário

Uma das fases que mais ansiedade costuma gerar é a espera pelas notícias do laboratório. Após a punção ovárica (um procedimento simples através do qual os óvulos são extraídos) inicia-se um processo natural de seleção. É importante compreender que o número inicial de óvulos irá diminuindo ao longo dos dias. Este fenómeno é perfeitamente normal e é conhecido como o «funil da FIV».

  • Óvulos maduros: nem todos os óvulos extraídos durante a punção estarão maduros (em metáfase II). Apenas os óvulos maduros podem ser fecundados.
  • Fecundação: dos óvulos maduros inseminados, quer através de FIV convencional quer por ICSI, cerca de 70% a 80% conseguem ser fecundados com sucesso.
  • Desenvolvimento embrionário: após a fecundação, os embriões permanecem em incubadoras específicas. À medida que se dividem, alguns interrompem naturalmente o seu desenvolvimento devido a alterações genéticas.
  • Chegada ao estádio de blastocisto: aproximadamente metade dos embriões fecundados consegue atingir o estádio de blastocisto (5.º ou 6.º dia de desenvolvimento), considerado o momento ideal para a transferência ou criopreservação.

Compreender que esta redução faz parte da biologia natural ajuda a gerir as expetativas e a diminuir a ansiedade durante os dias de espera.

Perguntas frequentes das nossas pacientes

Sabemos que cada etapa do tratamento levanta novas dúvidas. De seguida, respondemos às questões mais frequentes colocadas pelas nossas pacientes.

Quantos embriões são transferidos numa Fertilização In Vitro?

Esta é uma das decisões mais importantes que irá tomar juntamente com a sua equipa médica. Embora, em Portugal, a legislação permita a transferência de até três embriões, a tendência atual e o protocolo recomendado em clínicas avançadas como a Next Fertility é a transferência de um único embrião (Single Embryo Transfer), preferencialmente no estádio de blastocisto (5.º dia de desenvolvimento).

O principal motivo é proteger a sua saúde e a do futuro bebé. Transferir mais embriões não duplica as probabilidades de gravidez, mas aumenta significativamente o risco de gravidez múltipla (gémeos ou trigémeos). As gravidezes múltiplas estão associadas a um maior risco de parto prematuro, pré-eclâmpsia e diabetes gestacional. Atualmente, graças aos avanços no cultivo e seleção embrionária, é possível escolher o embrião com maior potencial, mantendo elevadas taxas de sucesso com a transferência de apenas um embrião.

Quantos óvulos fecundados chegam ao dia 3?

Como referido anteriormente, não existe um número exato, pois a biologia de cada mulher é diferente. No entanto, estatisticamente, espera-se que uma elevada percentagem dos óvulos corretamente fecundados no primeiro dia (cerca de 80% a 90%) continue a dividir-se e atinja o terceiro dia de desenvolvimento embrionário, fase em que normalmente apresentam entre 6 e 8 células. A maior redução do número de embriões ocorre habitualmente entre o 3.º e o 5.º dia, quando o genoma do próprio embrião é ativado e aqueles que não são geneticamente viáveis interrompem naturalmente o seu desenvolvimento.

Quanto tempo demora a implantação de um óvulo fecundado in vitro?

Importa esclarecer um aspeto técnico: o que se implanta no útero não é um «óvulo fecundado», mas sim um embrião que já atingiu o estádio de blastocisto. Após a transferência de um blastocisto (5.º dia de desenvolvimento), este necessita primeiro de eclodir da zona pelúcida, a sua camada protetora. Depois disso, a implantação no endométrio ocorre geralmente entre 1 e 3 dias após a transferência. Assim, todo o processo de implantação costuma ficar concluído entre o 7.º e o 9.º dia após a fecundação realizada no laboratório.

Quantos óvulos é normal obter numa punção ovárica?

Diversos estudos científicos internacionais demonstram que o número considerado ideal para equilibrar elevadas taxas de recém-nascido vivo e a segurança da paciente situa-se entre 8 e 15 óvulos. Conseguir este número é geralmente um indicador de uma boa resposta à estimulação ovárica. No entanto, obter menos óvulos (por exemplo, 4 ou 5) não significa que a gravidez não seja possível, pois tudo dependerá da qualidade desses ovócitos. Da mesma forma, quando são extraídos mais de 15 óvulos, a equipa médica poderá recomendar a criopreservação dos embriões para que a transferência seja realizada num ciclo posterior, permitindo que o organismo recupere totalmente.

Conclusão: um percurso adaptado a si

A fertilidade não é uma ciência exata, mas sim um processo biológico profundamente individual. Embora as estatísticas e os números ajudem a orientar o tratamento, o sucesso do tratamento não depende apenas de quantos óvulos são necessários na FIV. Um único óvulo de boa qualidade que dê origem a um embrião saudável pode ser suficiente para concretizar o sonho de formar uma família.

Sabemos que enfrentar este processo exige paciência, confiança e força emocional. Na Next Fertility, estamos empenhados em oferecer-lhe não só a melhor tecnologia e conhecimento científico, mas também a empatia, o acompanhamento e a transparência de que necessita. Se tem dúvidas sobre a sua reserva ovárica, sobre a resposta à estimulação ou qualquer outro aspeto da sua fertilidade, convidamo-la a contactar a nossa equipa de especialistas. Teremos todo o gosto em avaliar o seu caso de forma personalizada e acompanhá-la em cada passo rumo à maternidade.

Referências bibliográficas

  • Sunkara SK, Rittenberg V, Raine-Fenning N, Bhattacharya S, et al. Association between the number of eggs and live birth in IVF treatment: an analysis of 400,135 treatment cycles. Hum Reprod. 2011;26:1768-1774.
  • Steward RG, Lan L, Shah AA, Yeh JS, et al. Oocyte number as a predictor for ovarian hyperstimulation syndrome and live birth: an analysis of 256,381 in vitro fertilization cycles. Fertil Steril. 2014;101:967-973.
  • Van der Gaast MH, Eijkemans MJ, van der Net JB, de Boer EJ, et al. Optimum number of oocytes for a successful first IVF treatment cycle. Reprod Biomed Online. 2006;13:476-480.

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