Hidrossalpinge: o que é e como afeta a gravidez

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Sabemos que o caminho até à maternidade ou paternidade pode ser marcado por muitos altos e baixos emocionais. Durante a procura de um bebé, é frequente surgirem exames médicos e diagnósticos que, numa fase inicial, podem provocar incerteza ou receio. Tal como acontece com outras situações que abordamos na consulta, como as dúvidas sobre o hipotiroidismo e gravidez ou o impacto emocional de enfrentar uma gravidez anembrionária, receber um diagnóstico de hidrossalpinge pode ser avassalador. É importante recordar que não está sozinha e que esta condição é mais comum do que muitas pessoas imaginam.

Se lhe foi diagnosticada esta alteração das trompas de Falópio e procura compreender a relação entre hidrossalpinge e gravidez, queremos transmitir-lhe uma mensagem de tranquilidade. A medicina da reprodução evoluiu significativamente nos últimos anos e existem atualmente diversos tratamentos de fertilidade capazes de ultrapassar este tipo de obstáculo. Neste artigo explicamos, de forma clara e acessível, o que é a hidrossalpinge, porque surge e quais são as opções disponíveis para concretizar o sonho de constituir família.

O que é a hidrossalpinge?

A hidrossalpinge é uma alteração ginecológica que afeta as trompas de Falópio. Caracteriza-se pela obstrução e dilatação de uma ou de ambas as trompas devido à acumulação de líquido no seu interior. Para compreender o seu impacto, é importante recordar que as trompas de Falópio funcionam como a “ponte” onde o óvulo e o espermatozoide se encontram para que ocorra a fecundação e através da qual o embrião segue até ao útero.

Quando este líquido se acumula, a trompa perde a sua função normal. Dependendo de afetar apenas uma trompa ou ambas, os especialistas classificam a hidrossalpinge em dois tipos:

  • Hidrossalpinge unilateral: apenas uma trompa de Falópio está obstruída. Nestes casos, a gravidez natural continua a ser possível, desde que a outra trompa esteja completamente saudável e funcional.
  • Hidrossalpinge bilateral: ambas as trompas estão afetadas. Esta situação impede que os espermatozoides alcancem o óvulo, tornando a gravidez espontânea inviável. No entanto, graças às técnicas de reprodução medicamente assistida, continua a ser perfeitamente possível concretizar o sonho da maternidade.

Causas da hidrossalpinge

Compreender a origem da hidrossalpinge pode ajudá-la a conhecer melhor a sua saúde reprodutiva. A acumulação de líquido surge normalmente como consequência de uma inflamação crónica na região pélvica. As causas mais frequentes incluem:

  • Infeções anteriores: a principal causa é a doença inflamatória pélvica (DIP), frequentemente provocada por infeções sexualmente transmissíveis (IST), como a clamídia ou a gonorreia. Em muitos casos, estas infeções passam despercebidas por não causarem sintomas.
  • Endometriose: o tecido endometrial que cresce fora do útero pode aderir às trompas de Falópio, provocando inflamação e obstruções.
  • Cirurgias pélvicas anteriores: intervenções cirúrgicas devido a apendicite, quistos ováricos ou miomas podem originar tecido cicatricial (aderências), bloqueando as trompas.

Sintomas: como saber se tenho hidrossalpinge?

Uma das maiores frustrações para muitas mulheres é descobrir que têm hidrossalpinge apenas após meses ou anos de tentativas para engravidar, uma vez que, na maioria dos casos, esta condição não provoca qualquer sintoma.

No entanto, quando existem manifestações clínicas, os sintomas podem incluir:

  • Dor pélvica: uma dor persistente ou uma sensação de desconforto na parte inferior do abdómen, que pode intensificar-se durante a menstruação ou a ovulação.
  • Corrimento vaginal anormal: pode surgir um corrimento aquoso persistente e, em alguns casos, com odor desagradável quando existe uma infeção ativa.
  • Infertilidade: a dificuldade em engravidar é frequentemente o principal sinal e o motivo que leva ao diagnóstico durante um estudo de fertilidade.

Diagnóstico: como identificá-la

Se estiver a ter dificuldades em engravidar, na clínica será realizado um estudo de fertilidade personalizado, adaptado à sua situação clínica. Os exames mais utilizados para diagnosticar a hidrossalpinge incluem:

  • Ecografia transvaginal: é um exame rápido e de rotina. Quando as trompas estão muito dilatadas e preenchidas com líquido, podem ser facilmente visualizadas na ecografia.
  • Histerossalpingografia (HSG): consiste numa radiografia com contraste introduzido através do colo do útero, permitindo avaliar detalhadamente a forma das trompas e confirmar a existência de obstruções.
  • Laparoscopia: é uma cirurgia minimamente invasiva que permite observar diretamente as trompas de Falópio através de uma pequena câmara. Frequentemente é utilizada tanto para confirmar o diagnóstico como para tratar o problema no mesmo procedimento.

Tratamentos disponíveis para a hidrossalpinge

O tratamento da hidrossalpinge depende de vários fatores, como o grau da obstrução, os sintomas apresentados e, sobretudo, do desejo de engravidar. Na Next Fertility, cada caso é avaliado de forma individualizada para definir a abordagem mais adequada às necessidades de cada mulher.

Tratamento cirúrgico

Quando o objetivo é alcançar uma gravidez através de técnicas de reprodução medicamente assistida, o tratamento de eleição é, geralmente, cirúrgico. O líquido acumulado nas trompas pode ser tóxico para os embriões e reduzir significativamente as taxas de implantação. As principais opções são:

  • Salpingectomia: consiste na remoção cirúrgica (habitualmente por laparoscopia) da trompa afetada. É o tratamento mais eficaz para impedir que o líquido interfira em futuros tratamentos de fertilidade.
  • Oclusão tubária (salpingostomia): quando a remoção da trompa não é possível devido à existência de aderências graves, a ligação entre a trompa e o útero é encerrada para impedir a passagem do líquido.
  • Escleroterapia: consiste na aspiração do líquido sob orientação ecográfica, seguida da injeção de uma substância que reduz a probabilidade de nova acumulação. Trata-se de uma técnica menos invasiva, embora também menos definitiva.

Tratamento não cirúrgico

Quando existe uma infeção ativa responsável pela hidrossalpinge, o primeiro passo consiste na administração de antibióticos adequados. Por outro lado, se não apresentar sintomas e não estiver a tentar engravidar de momento, poderá optar-se por uma abordagem de vigilância, com ecografias periódicas para monitorizar a evolução da situação.

Fertilização in vitro (FIV) como solução

Se lhe foi diagnosticada hidrossalpinge bilateral, a gravidez natural deixa de ser viável. No entanto, a Fertilização In Vitro (FIV) representa uma solução altamente eficaz e segura. Como a fecundação ocorre em laboratório e o embrião é posteriormente transferido diretamente para o útero, deixa de ser necessário que as trompas de Falópio desempenhem qualquer função no processo.

Tal como recomendam os nossos especialistas, é fundamental tratar cirurgicamente a trompa afetada antes da transferência embrionária, de forma a garantir um ambiente uterino mais favorável e aumentar as probabilidades de sucesso da implantação.

Perguntas frequentes sobre hidrossalpinge e gravidez

Durante as consultas é perfeitamente natural surgirem muitas dúvidas. Por isso, reunimos algumas das perguntas mais frequentes feitas pelas nossas pacientes e pesquisadas no Google para lhe dar respostas claras e baseadas na evidência científica.

O que acontece se engravidar com hidrossalpinge?

Se conseguir engravidar naturalmente (situação possível apenas em alguns casos de hidrossalpinge unilateral), existe o risco de o líquido acumulado na trompa passar para a cavidade uterina. Este líquido contém substâncias que podem prejudicar o desenvolvimento embrionário, dificultando a implantação e aumentando o risco de aborto espontâneo.

Quais são os riscos da gravidez com hidrossalpinge?

O principal risco associado à hidrossalpinge é a gravidez ectópica. Como as trompas apresentam lesões e alterações na sua mobilidade, o embrião pode implantar-se na própria trompa em vez de chegar ao útero. A gravidez ectópica não é viável e constitui uma situação médica urgente que requer tratamento imediato.

A hidrossalpinge é perigosa?

Por si só, não representa uma ameaça direta à vida, embora possa provocar dor pélvica crónica e comprometer significativamente a fertilidade. No entanto, torna-se potencialmente perigosa caso origine uma gravidez ectópica não diagnosticada, pois a rotura da trompa pode provocar uma hemorragia interna grave que exige intervenção médica urgente.

As mulheres com hiperplasia endometrial podem ter filhos?

Embora a hiperplasia endometrial (espessamento excessivo do revestimento interno do útero) seja uma condição diferente da hidrossalpinge, trata-se de uma dúvida frequente relacionada com a saúde uterina. A resposta é sim. Na maioria dos casos benignos, após um tratamento hormonal adequado para normalizar a espessura do endométrio, é perfeitamente possível alcançar uma gravidez saudável. Na Next Fertility avaliamos toda a cavidade uterina para garantir as melhores condições para a implantação embrionária.

Conclusão: o seu caminho para a maternidade

Receber um diagnóstico de hidrossalpinge pode ser um momento difícil, mas queremos que saiba que existe solução. Esta alteração anatómica representa um desafio para a conceção natural, mas não significa, de forma alguma, o fim do seu projeto de constituir família. A medicina da reprodução atual permite ultrapassar este obstáculo com elevadas taxas de sucesso.

Na Next Fertility, estamos comprometidos em acompanhá-la em todas as etapas deste percurso. A nossa equipa médica e de apoio emocional trabalhará consigo para desenvolver um plano de tratamento totalmente personalizado, colocando sempre a sua saúde e o seu bem-estar em primeiro lugar, para que possa viver uma gravidez segura e dar as boas-vindas ao seu bebé.

Referências bibliográficas

  • Organização Mundial da Saúde (OMS). (2020). Doença Inflamatória Pélvica e as suas consequências na fertilidade.
  • García-Velasco, J. A., & Somigliana, E. (2019). Tratamento da hidrossalpinge antes da Fertilização In Vitro: impacto e opções cirúrgicas. Human Reproduction Update.

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