Uma das preocupações mais frequentes nas consultas médicas é o aparecimento de infeções vaginais. A relação entre vaginite e gravidez é muito próxima, sendo a vaginose bacteriana na gravidez uma das condições mais comuns. É importante lembrar que não está sozinha nesta situação; esta experiência é mais frequente do que muitas mulheres imaginam e, com informação adequada e tratamento correto, não tem de comprometer esta fase tão especial da sua vida.
A gravidez é uma fase repleta de expetativas, mudanças e, algo completamente normal, também de algumas preocupações. Durante estes meses, o seu corpo passa por uma transformação profunda para criar o ambiente perfeito para que o bebé possa crescer e desenvolver-se. No entanto, no meio de todas estas alterações hormonais e imunológicas, é habitual surgirem dúvidas e alguns desconfortos de saúde. Tal como prestamos atenção às doenças que afetam a fertilidade antes de conseguir engravidar, durante a gestação é fundamental cuidar da saúde íntima.
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ToggleVaginose bacteriana na gravidez: o que é e porque acontece?
Para compreender o que acontece, primeiro devemos falar sobre a flora vaginal normal. Em condições habituais, a vagina é habitada por um delicado ecossistema de microrganismos, principalmente bactérias benéficas chamadas Lactobacillus. Estas bactérias funcionam como uma barreira protetora, mantendo um pH ácido que impede o crescimento de outros germes prejudiciais.
Embora algumas condições médicas tenham uma forte componente genética e, graças à ciência, hoje saibamos que muitas doenças hereditárias podem ser geridas ou prevenidas, a vaginose bacteriana (VB) não funciona dessa forma. Trata-se simplesmente de uma alteração temporária deste ecossistema local. Ocorre quando diminuem os lactobacilos protetores e proliferam excessivamente outros tipos de bactérias normalmente presentes em menor quantidade, como a Gardnerella vaginalis.
Durante a gravidez, as alterações hormonais modificam muitas funções do organismo. Da mesma forma que o controlo endócrino deve ser acompanhado de perto em situações de hipotiroidismo e gravidez, os níveis elevados de estrogénios e as alterações no sistema imunitário podem modificar o pH da zona íntima, tornando a mulher mais propensa a desenvolver esta condição. Não se trata de uma doença sexualmente transmissível, embora a atividade sexual possa alterar o equilíbrio do pH vaginal.
Como afeta a vaginose bacteriana na gravidez?
É perfeitamente compreensível que, ao ouvir a palavra «infeção», sinta receio pelo bem-estar do seu bebé. Queremos tranquilizá-la: a maioria das mulheres que desenvolvem vaginose bacteriana tem gravidezes saudáveis. No entanto, de um ponto de vista clínico e preventivo, trata-se de uma condição que requer tratamento médico.
Se a flora vaginal anormal não for tratada, as bactérias podem subir pelo trato genital e colonizar as membranas que protegem o bebé. De acordo com vários estudos médicos, isto tem sido associado a um risco acrescido de:
- Maior risco de parto prematuro: o bebé pode nascer antes das 37 semanas de gestação.
- Rotura prematura das membranas (RPM): a perda de líquido amniótico antes do início do trabalho de parto.
- Baixo peso à nascença: quando o bebé pesa menos de 2,5 kg.
- Infeções uterinas: como a endometrite pós-parto ou infeções no líquido amniótico.
Reconhecer este fardo emocional e médico é o primeiro passo. Comparecer às consultas pré-natais e comunicar qualquer sintoma ao seu especialista é a sua melhor forma de prevenir quaisquer complicações.
Sintomas: como posso identificar a vaginose bacteriana na gravidez?
Uma das particularidades da vaginose bacteriana é que muitas mulheres não apresentam qualquer sintoma. Em alguns estudos, mais de metade das mulheres diagnosticadas desconheciam completamente a presença da infeção.
Quando os sintomas surgem, os mais frequentes incluem:
- Corrimento vaginal anormal: costuma ser de cor branca, acinzentada ou leitosa e de consistência leve.
- Odor vaginal desagradável, frequentemente descrito como cheiro a peixe, que pode intensificar-se após as relações sexuais ou ao lavar-se com sabonetes alcalinos.
- Ligeira irritação: Embora a comichão e a vermelhidão intensa sejam mais típicas de infeções fúngicas (candidíase), algumas mulheres sentem uma ligeira sensação de ardor ao urinar ou um ligeiro desconforto na parte externa da vagina.
Se notar alguma destas alterações, não hesite em consultar um médico. Na clínica, um simples exame microscópico do seu corrimento vaginal confirmará o diagnóstico de forma rápida e indolor.
Perguntas frequentes sobre vaginite e gravidez
Ao longo do percurso rumo à maternidade, é normal que procure respostas rápidas para as dúvidas que lhe causam ansiedade. Aqui, respondemos de forma clara e direta às perguntas mais comuns que recebemos:
O que acontece se eu tiver infeções e estiver grávida?
Ter uma infeção durante a gravidez requer cuidados médicos, mas não deve ser motivo de pânico. Dependendo do tipo de infeção (bacteriana, fúngica ou viral), o seu médico avaliará a situação. Se as infeções cervicovaginais não forem tratadas, podem aumentar o risco de complicações, como o parto prematuro. No entanto, com um diagnóstico precoce e o tratamento adequado, protege-se tanto a sua saúde como a do seu bebé, permitindo que a gravidez decorra normalmente.
Como tratar a vaginose bacteriana na gravidez?
O tratamento dependerá do agente causador. Se se tratar de uma vaginose bacteriana, serão prescritos antibióticos específicos e seguros para a gravidez. Se for uma vulvovaginite fúngica (como a candidíase, muito frequente em grávidas), costumam ser indicados antifúngicos na forma de cremes ou ovulos vaginais. É fundamental que o tratamento seja prescrito por um profissional de saúde e que nunca se recorra à automedicação, uma vez que nem todos os medicamentos são seguros durante a gravidez.
O que acontece se eu usar um supositório de metronidazol e estiver grávida?
O metronidazol é um dos antibióticos de eleição para tratar a vaginose bacteriana. Ao longo dos anos, vários estudos clínicos demonstraram que a utilização de supositórios ou cremes vaginais de metronidazol durante a gravidez é segura para o bebé e altamente eficaz para eliminar a infeção na mãe. Se o seu médico lhe prescreveu este medicamento, pode utilizá-lo com toda a tranquilidade. É fundamental que complete todo o ciclo do tratamento, mesmo que os sintomas desapareçam antes, para garantir que a infeção seja totalmente eliminada e evitar recaídas.
Como eliminar rapidamente a infeção vaginal se estiver grávida?
Sabemos que os sintomas são incómodos e que deseja um alívio rápido, mas a única forma segura e rápida de curar uma infeção vaginal durante a gravidez é consultar imediatamente o seu médico ou obstetra para que lhe prescreva o tratamento farmacológico adequado (antibiótico ou antifúngico). Deve evitar a todo o custo os «remédios caseiros», as duchas vaginais e a automedicação, uma vez que estas práticas podem agravar o desequilíbrio da sua flora vaginal, empurrar as bactérias para o colo do útero ou colocar a sua gravidez em risco.
Prevenção: como cuidar da sua flora vaginal
Embora nem sempre seja possível prevenir a vaginose bacteriana, existem hábitos saudáveis que podem ajudar a manter o equilíbrio natural da sua vagina e a reduzir o risco de desenvolver vaginite durante a gravidez:
- Higiene íntima adequada: lave a zona externa da vagina apenas com água morna ou um sabonete neutro específico. Evite sabonetes perfumados, desodorizantes íntimos e, sobretudo, duchas vaginais, uma vez que estas eliminam os lactobacilos protetores.
- Roupa respirável: use roupa interior 100% algodão e evite calças excessivamente justas. Isto evita a retenção de humidade e calor, que favorecem a proliferação de bactérias e fungos.
- Relações sexuais seguras: o uso do preservativo pode ajudar a evitar a alteração do pH vaginal causada pelo sémen.
- Hábitos ao ir à casa de banho: limpe-se sempre da frente para trás para evitar que as bactérias da zona retal passem para a vagina.
Conclusão
Passar por alterações ou contrair uma infeção como a vaginose bacteriana na gravidez pode causar muita incerteza, mas é fundamental lembrar que a ciência médica dispõe de protocolos muito claros e seguros para proteger tanto a si como ao seu futuro bebé. Ouvir o seu corpo, manter uma comunicação aberta com a sua equipa médica e seguir as orientações de tratamento sem sentir culpa ou vergonha são os passos certos a dar.
Na Next Fertility, o nosso compromisso é acompanhá-la em cada etapa da sua jornada rumo à maternidade. Acreditamos num atendimento integral que não só cuida da sua saúde física, mas também lhe proporciona o apoio emocional de que necessita. Se tiver dúvidas sobre a sua saúde reprodutiva, o desenvolvimento da sua gravidez ou se notar algum sintoma invulgar, não hesite em contactar-nos. Estamos aqui para lhe oferecer informação fiável, soluções personalizadas e a tranquilidade que merece neste momento tão especial.
Referências bibliográficas
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