Diferenças entre ovodoação e embriodoação: qual é a melhor opção para si?

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Quando o caminho para a maternidade ou paternidade não segue o percurso que imaginávamos, é perfeitamente normal sentir dúvidas e incerteza. Se lhe foi explicado que não é possível conseguir uma gravidez com os seus próprios óvulos, a primeira coisa que queremos dizer-lhe é que não está sozinha. Atualmente, a medicina reprodutiva oferece alternativas com elevadas taxas de sucesso e, antes de tomar uma decisão, compreender as diferenças entre ovodoação e embriodoação é um passo fundamental. Ambas são opções seguras, eficazes e cheias de esperança. Neste artigo explicamos, de forma clara e acessível, em que consiste cada tratamento para que possa escolher a solução mais adequada ao seu caso com confiança e tranquilidade.

O que é a ovodoação e em que consiste?

A Fertilização In Vitro com óvulos de dadora, ou ovodoação, é um tratamento de reprodução assistida em que são utilizados óvulos de uma mulher jovem e saudável para serem fecundados em laboratório. Para realizar este tratamento, pode ser utilizado o sémen do seu parceiro ou, caso seja necessário, o de um dador de sémen. Esta técnica é frequentemente recomendada pelos especialistas quando existem falhas repetidas de implantação, baixa reserva ovárica, insuficiência ovárica ou idade materna avançada.

Em que consiste a embriodoação?

Por outro lado, a embriodoação (também conhecida como adoção de embriões) é um tratamento que consiste na transferência para o útero de um embrião já formado, proveniente de outros pacientes. Estes pacientes, depois de concretizarem o seu projeto parental através da Fertilização In Vitro, decidem, num gesto de enorme generosidade e solidariedade, doar os embriões excedentários que permaneceram vitrificados. Desta forma, oferecem a outras mulheres e casais a oportunidade de viver uma gravidez e constituir família.

Ovodoação e embriodoação: diferenças principais

Compreender as diferenças entre ovodoação e embriodoação ajudá-la-á a sentir-se mais segura no momento de escolher o tratamento mais adequado. Estes são os principais aspetos a considerar:

    • Origem dos gâmetas: Na ovodoação, o sémen utilizado pode ser o do seu parceiro, permitindo que o bebé partilhe a sua informação genética. Na embriodoação, tanto o óvulo como o espermatozoide pertencem aos pacientes que doaram o embrião (embora estes possam, por sua vez, ter recorrido a gâmetas próprios ou de dadores).
    • Semelhança física (fenótipo): Num ciclo com óvulos doados, a nossa equipa médica realiza uma seleção rigorosa da dadora para que as suas características físicas e grupo sanguíneo sejam o mais semelhantes possível aos da recetora (aquilo que designamos de matching fenotípico). Na embriodoação, apesar de existir um processo de compatibilização, não é possível efetuar uma seleção tão específica.
    • Número de embriões disponíveis: Quando se recorre a uma dadora de óvulos, é provável que sejam gerados vários embriões num mesmo ciclo, o que lhe dá a possibilidade de vitrificar embriões irmãos para o futuro. Na adoção de embriões, o número de embriões disponíveis está limitado à doação em questão.
    • Simplicidade e custo do tratamento: A adoção de embriões costuma ser um tratamento mais simples e economicamente mais acessível, uma vez que os embriões já foram criados em laboratório e apenas é necessário preparar o endométrio para a transferência embrionária.

Perguntas frequentes sobre ovodoação e embriodoação

O que é melhor: ovodoação ou embriodoação?

Do ponto de vista médico e humano, não existe um tratamento universalmente “melhor”, mas sim aquele que melhor responde às suas necessidades clínicas e emocionais. Em termos de taxas de sucesso, a ovodoação apresenta, geralmente, probabilidades de gravidez ligeiramente superiores, uma vez que os óvulos provêm de dadoras jovens selecionadas especificamente para cada tratamento. No entanto, a embriodoação é também uma excelente opção para quem procura um processo mais simples, com menor custo ou necessita de recorrer simultaneamente à doação de óvulos e de sémen. A equipa médica avaliará sempre o seu caso de forma personalizada antes de recomendar a melhor abordagem.

Um filho concebido por ovodoação pode ser parecido comigo?

Esta é uma das dúvidas mais frequentes nas consultas e a resposta é sim. Em primeiro lugar, porque a seleção da dadora é realizada de forma rigorosa, procurando características físicas semelhantes às da recetora. Além disso, sabemos hoje que a epigenética desempenha um papel muito importante durante a gravidez. Ao longo da gestação, o ambiente uterino, o seu organismo e os seus hábitos influenciam a forma como determinados genes do bebé são expressos. Desde o momento da implantação embrionária, o seu corpo participa ativamente no desenvolvimento do bebé.

Qual é a taxa de sucesso da transferência embrionária com ovodoação?

Os tratamentos com óvulos de dadora apresentam algumas das mais elevadas taxas de sucesso da medicina reprodutiva. A probabilidade de conseguir uma gravidez por transferência embrionária situa-se, habitualmente, em torno dos 70% ou mais. Este elevado sucesso deve-se sobretudo à excelente qualidade dos óvulos das dadoras e ao facto de a maioria das transferências ser realizada na fase de blastocisto (5.º dia de desenvolvimento embrionário), quando os embriões apresentam maior potencial de implantação.

Vale a pena recorrer à ovodoação?

Sabemos que aceitar a impossibilidade de transmitir a própria carga genética pode ser um processo emocionalmente desafiante. Muitas mulheres vivem um período de luto genético. É importante reconhecer essas emoções e dar a si própria o tempo necessário para as processar. No entanto, a grande maioria das mulheres e casais que conseguem concretizar o sonho de ter um filho através da ovodoação afirma que todo o percurso valeu a pena. Sentir os primeiros movimentos do bebé, ouvir o seu coração bater ou segurá-lo nos braços pela primeira vez faz com que a origem do óvulo passe para segundo plano. O ponto principal passa a ser o vínculo afetivo construído durante toda a gravidez e o amor incondicional.

Conclusão: um caminho acompanhado até à sua família

Quer decida recorrer à ovodoação quer opte pela embriodoação, estará a dar um passo corajoso, motivado pelo desejo de constituir família. Cada mulher e cada casal têm circunstâncias únicas, sejam elas médicas, emocionais ou económicas. No entanto, ambos os tratamentos têm o mesmo objetivo: ajudá-la a concretizar o sonho de ter um filho. Na Next Fertility queremos que saiba que estaremos ao seu lado em todas as etapas, esclarecendo as suas dúvidas com total transparência. Para tomar a decisão mais adequada ao seu caso, oferecemos-lhe o apoio médico e psicológico necessário.

Referências bibliográficas

    1. Lei 32/2006, de 26 de julho, sobre Procriação Medicamente Assistida. Diário da República.
    2. García, D., et al. (2018). Epigenética na reprodução medicamente assistida e o papel do ambiente materno. Revista de Medicina Reprodutiva.

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