Tomar a decisão de constituir uma família é um dos passos mais emocionantes e, ao mesmo tempo, avassaladores que podemos dar na vida. Compreendemos perfeitamente a mistura de entusiasmo e expetativa que podem sentir. Felizmente, a ciência evoluiu enormemente e, atualmente, o sonho de serem mães lésbicas e viverem a gravidez em conjunto é uma realidade muito acessível através da maternidade partilhada. Se está a ler isto, é provável que você e a sua companheira estejam a imaginar como será o rosto do vosso futuro bebé e a procurar o melhor caminho para o concretizar.
É importante recordar que não estão sozinhas neste caminho. Cada vez mais mulheres recorrem a clínicas de fertilidade à procura de opções seguras, respeitadoras e adaptadas ao seu modelo de família. De seguida, explicamos de forma clara e sem tecnicismos desnecessários em que consiste este maravilhoso processo que permite a duas mulheres participar ativamente na chegada do seu filho.
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ToggleO que é o método ROPA ou maternidade partilhada?
A maternidade partilhada, conhecida medicamente como Método ROPA (Receção de Ovócitos da Parceira), é um tratamento de reprodução assistida concebido especificamente para casais constituídos por duas mulheres. O seu maior atrativo e benefício emocional é permitir que ambas participem de forma física e ativa na gestação do bebé.
Neste processo, os papéis dividem-se de uma forma complementar: uma de vocês irá fornecer os seus ovócitos, tornando-se a mãe genética (ou biológica), enquanto a outra receberá o embrião no útero e levará a cabo a gravidez, sendo a mãe gestante. Deste modo, ambas são indispensáveis para o desenvolvimento da nova vida, partilhando a maternidade desde o primeiro momento.
Fases do tratamento: um caminho partilhado passo a passo
Sabemos que iniciar um tratamento de fertilidade pode gerar alguma ansiedade perante o desconhecido. Conhecer o funcionamento do corpo e saber quais são as etapas clínicas ajuda a recuperar o controlo e a tranquilidade. O procedimento médico é realizado de forma coordenada e inclui as seguintes fases:
Estudo inicial e sincronização
Antes de começar, a equipa médica realiza um estudo completo da fertilidade de ambas as mulheres, incluindo análises ao sangue, avaliação da reserva ovárica e ecografias. Depois de confirmar que o estado de saúde reprodutiva é adequado, procede-se à sincronização dos ciclos menstruais de ambas através de medicação, para que os corpos estejam preparados em simultâneo.
Estimulação ovárica e punção (mãe genética)
A mulher que decide fornecer os ovócitos inicia um tratamento hormonal de estimulação ovárica. Durante aproximadamente 10 a 12 dias, são administradas injeções subcutâneas para ajudar os ovários a amadurecer vários folículos em simultâneo. Este processo é monitorizado através de ecografias regulares. Quando os folículos atingem o tamanho ideal, é programada a punção folicular, uma intervenção muito rápida e simples, realizada sob sedação ligeira, para extrair os ovócitos maduros de forma indolor.
Preparação endometrial (mãe gestante)
Em paralelo, a mulher que irá levar a gravidez recebe um tratamento hormonal suave, à base de estrogénios e progesterona, para preparar o endométrio. O objetivo é que a camada interna do útero atinja a espessura e as condições adequadas para receber o embrião e favorecer a sua implantação.
Fecundação em laboratório
Depois de obtidos os ovócitos, a equipa de embriologia procede à sua fecundação em laboratório utilizando sémen proveniente de um dador anónimo, criteriosamente selecionado e sujeito a rigorosos controlos de saúde. Para tal, pode ser utilizada a técnica de FIV (Fertilização in Vitro) convencional ou a microinjeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI). Os embriões resultantes são cultivados e observados durante alguns dias para garantir que o seu desenvolvimento é adequado.
Transferência embrionária e teste de gravidez
O último passo clínico é a transferência embrionária. O embrião com melhor prognóstico é introduzido no útero da mãe gestante através de um cateter muito fino. É um procedimento rápido que não requer anestesia. Cerca de 12 a 14 dias depois, será realizada uma análise ao sangue para medir a hormona beta-hCG e confirmar a tão aguardada notícia da gravidez.
Maternidade partilhada: requisitos legais e emocionais deste processo
Do ponto de vista emocional, escolher quem fornece os ovócitos e quem leva a gravidez é uma decisão muito pessoal. Por vezes, a escolha é feita com base no desejo de cada elemento do casal e, noutras situações, a equipa médica aconselha a melhor distribuição com base na idade e na reserva ovárica de cada uma, de forma a otimizar as probabilidades de sucesso.
No âmbito legal, a Lei n.º 17/2016, de 20 de junho, indica que deixa de ser obrigatório que o casal de mulheres seja casado para que ambas sejam automaticamente reconhecidas como mães de uma criança concebida através de técnicas de PMA, incluindo o método ROPA. A filiação da mãe não gestante pode ser determinada através do seu consentimento e reconhecimento, de acordo com a legislação em vigor, sem que o casamento seja um requisito. Esta experiência é mais comum do que habitualmente se pensa e conta com enquadramento legal e médico em Portugal.
Perguntas frequentes sobre fertilidade e novos modelos de família
É perfeitamente normal ter muitas dúvidas. Nas nossas consultas ouvimos todo o tipo de perguntas. Por isso, neste artigo queremos responder às mais comuns que as pacientes procuram na internet, sempre com rigor e empatia.
O que é a maternidade partilhada?
Como vimos, a maternidade partilhada é o processo através do qual duas mulheres participam na gestação de um mesmo bebé graças à reprodução assistida (Método ROPA). Uma mulher fornece o ovócito (genética) e a outra disponibiliza o útero para o desenvolvimento da gravidez (gestação), partilhando assim o processo de constituir uma família desde o início.
É possível que 2 mulheres tenham um filho?
Sim, absolutamente. A medicina reprodutiva atual disponibiliza opções seguras para que duas mulheres tenham um filho. Podem optar pela Inseminação Artificial (IA) com sémen de dador, pela Fertilização in Vitro (FIV) convencional ou pelo Método ROPA, caso desejem partilhar ativamente a contribuição genética e a gestação.
Porque é que em Portugal a gestação de substituição não é legal?
A gestação de substituição (quando uma mulher gera um bebé para outra pessoa ou casal) não é legal em Portugal devido à Lei 32/2006 sobre Procriação Medicamente Assistida. A legislação portuguesa estabelece que o contrato através do qual seja acordada a gestação por uma mulher que renuncia à filiação materna a favor de terceiros é nulo de pleno direito. Em Portugal, a mãe legal é sempre a mulher que dá à luz, dando prioridade aos direitos da mãe gestante de acordo com o atual enquadramento ético e jurídico.
Conclusão: um futuro cheio de possibilidades
Tomar a decisão de recorrer à maternidade partilhada é um ato profundo de amor e compromisso. Compreendemos que o caminho para a maternidade pode ter os seus altos e baixos, mas contar com a informação correta e com uma equipa médica que vos ouça e valide as vossas emoções faz toda a diferença. A técnica ROPA permitiu a milhares de mulheres construir a família com que sempre sonharam, unindo a genética de uma e o acolhimento da outra numa mesma vida.
Se sentem que este é o vosso momento, recomendamos que procurem aconselhamento especializado. Na Next Fertility estamos aqui para vos acompanhar com empatia, profissionalismo e sem julgamentos. Criamos um plano à vossa medida para vos ajudar a dar as boas-vindas a uma nova vida. O vosso projeto de família merece o melhor dos começos.
Referências bibliográficas
- Lei 32/2006, de 26 de julho, sobre Procriação Medicamente Assistida. Diário da República.
- Lei 17/2016, de 20 de junho, alarga o âmbito dos beneficiários das técnicas de procriação medicamente assistida. Diário da República.
