É possível manter relações sexuais durante o tratamento de fertilidade?

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Sabemos que o caminho para a maternidade ou paternidade pode levantar muitas dúvidas e, por vezes, transformar-se numa verdadeira montanha-russa de emoções. É perfeitamente natural questionar de que forma a sua rotina diária, incluindo a vida íntima, deve adaptar-se a este processo. Embora todas as pessoas desejem engravidar à primeira de forma natural, quando se recorre à medicina da reprodução surgem questões muito comuns e perfeitamente legítimas. Uma das perguntas mais frequentes nas clínicas Next Fertility diz respeito às relações sexuais durante o tratamento de fertilidade: são compatíveis? Podem influenciar os resultados?

A resposta curta é sim. Na maioria dos casos, é possível e até benéfico manter uma vida sexual ativa, embora tudo dependa da fase específica do tratamento em que se encontra. É importante lembrar que não está sozinha neste percurso e que a intimidade com o seu parceiro ou parceira pode representar um importante apoio emocional. De seguida, explicamos tudo o que precisa de saber de forma clara, rigorosa e sem preconceitos, para que se sinta segura em cada etapa.

Benefícios físicos e emocionais da intimidade durante o processo

Enfrentar um ciclo de reprodução assistida implica um importante desgaste físico e psicológico. Neste contexto, manter relações sexuais durante o tratamento de fertilidade pode trazer benefícios significativos tanto para o bem-estar emocional como para o sucesso clínico do tratamento.

  • Maior ligação emocional e redução do stress: Diversos estudos, incluindo os publicados no The Journal of Sexual Medicine, demonstram que os casais que mantêm a sua vida íntima durante os tratamentos de fertilidade apresentam uma ligação emocional mais forte. A libertação de endorfinas durante as relações sexuais contribui para reduzir os níveis de stress e ansiedade, promovendo uma sensação geral de bem-estar, essencial nesta fase.
  • Melhoria da tolerância imunológica: Do ponto de vista clínico, verificou-se que a exposição regular às proteínas presentes no líquido seminal pode melhorar a tolerância imunológica do endométrio. Isto cria um ambiente mais favorável à implantação do embrião e tem sido associado a uma menor fragmentação do ADN espermático, podendo aumentar as probabilidades de sucesso do tratamento.

Considerações de acordo com o tipo de tratamento de fertilidade

Embora a intimidade seja geralmente positiva, existem algumas recomendações específicas na prática clínica. Cada técnica de reprodução assistida atua de forma diferente no organismo, pelo que as orientações variam consoante o tratamento que estiver a realizar.

Na Inseminação Artificial (IA)

Neste tratamento, os espermatozoides previamente preparados em laboratório são introduzidos no útero da mulher no momento da ovulação. Regra geral, durante um ciclo de inseminação artificial é possível e até recomendado manter atividade sexual.

O coito podem aumentar a quantidade de espermatozoides presentes no trato reprodutor e favorecer um ambiente uterino mais propício. A única condição essencial é sentir-se confortável e não apresentar dor ou desconforto. O seu bem-estar físico deve ser sempre a prioridade.

Na Fertilização in Vitro (FIV)

A Fertilização in Vitro é um procedimento mais complexo. Os óvulos são fecundados no laboratório de reprodução assistida e, posteriormente, o especialista realiza a transferência do embrião para o útero. Durante este tratamento, a atividade sexual pode ser benéfica, sobretudo nos dias que antecedem a transferência embrionária, devido ao efeito positivo na resposta imunológica anteriormente referido.

Contudo, existe uma exceção muito importante: a estimulação ovárica e a punção folicular. Durante esta fase, a medicação provoca um aumento significativo do volume dos ovários. Por esse motivo, as relações sexuais com penetração antes e nos dias imediatamente posteriores à punção ovárica não são recomendadas, uma vez que o movimento ou a pressão podem causar dor, distensão abdominal e, em situações mais graves, provocar uma torção do ovário, considerada uma urgência médica.

Perguntas frequentes

De seguida, respondemos às dúvidas mais frequentes que recebemos sobre este tema, para que possa viver esta etapa com maior tranquilidade e confiança.

É possível ter relações sexuais durante o tratamento de fertilidade?

Sim. De uma forma geral, as relações sexuais durante o tratamento de fertilidade são permitidas e até recomendadas. Além de fortalecerem a ligação emocional do casal, ajudam a reduzir o stress associado ao tratamento. Apenas devem ser evitadas em momentos específicos indicados pela equipa médica, como nas fases finais da estimulação ovárica ou imediatamente após procedimentos como a punção folicular.

O que acontece se tiver relações sexuais durante um tratamento de estimulação ovárica?

Se estiver na fase de estimulação ovárica, ou seja, a administrar medicação para estimular a produção de vários óvulos, manter relações sexuais próximo da data da punção pode representar um risco. Como os ovários aumentam significativamente de volume, o impacto físico pode provocar dor intensa e existe um risco real de torção ovárica. Além disso, caso ocorra uma ovulação espontânea antes da extração dos óvulos, poderá existir o risco de uma gravidez múltipla não planeada. Consulte sempre o seu ginecologista para saber exatamente quando deverá suspender temporariamente as relações sexuais.

O que acontece se tiver relações sexuais enquanto estou em tratamento?

Se estiver nas fases iniciais do tratamento ou a preparar-se para uma transferência embrionária, normalmente não acontece nada de negativo. Pelo contrário, a exposição ao líquido seminal pode favorecer a preparação do endométrio para a implantação do embrião. O mais importante é que as relações não provoquem dor nem qualquer tipo de desconforto.

O que devo evitar durante a estimulação ovárica?

Durante a fase de estimulação ovárica, o organismo encontra-se sujeito a alterações importantes. Para minimizar o risco de complicações, recomenda-se:

  • Evitar relações sexuais com penetração profunda nos dias próximos da punção folicular.
  • Evitar exercício físico intenso ou de impacto, como correr, saltar ou levantar cargas pesadas.
  • Evitar movimentos bruscos que possam favorecer uma torção dos ovários.
  • Reduzir o stress sempre que possível e garantir um descanso adequado.

Conclusão

Falar sobre relações sexuais durante o tratamento de fertilidade não deve ser um tema tabu. A intimidade com o seu parceiro ou parceira pode constituir uma importante fonte de apoio emocional e, em determinadas fases do tratamento, até proporcionar benefícios físicos que favorecem o sucesso reprodutivo. Esta é uma realidade muito mais comum do que muitas pessoas imaginam e, na Next Fertility, queremos acompanhá-la de forma próxima, natural e personalizada em todas as etapas deste percurso.

Lembre-se sempre de ouvir o seu corpo e de esclarecer qualquer dúvida com o seu especialista. O nosso objetivo é oferecer-lhe cuidados médicos de excelência, aliados à empatia, proximidade e sensibilidade que merece ao longo do caminho para concretizar o sonho da maternidade ou da paternidade.

Referências bibliográficas

  • Cheng-Yi Huang, Chiou-Fang Liou, Yen-Chiao Lu, Li-Ya Tsai, Tsung-Ho Ying, Ching-Pyng Kuo, Shu Hsin Lee. Differences in the Sexual Function and Sexual Healthcare Needs of Pregnant Women Who Underwent In Vitro Fertilization and Women Who Conceived Naturally at Each Trimester: A Prospective Cohort Study. Sexual Medicine, Volume 8, Issue 4, dezembro de 2020, pp. 709–717.
  • American Society for Reproductive Medicine. (2012). Inseminação intrauterina.
  • American Society for Reproductive Medicine. (2012). Reprodução com dador (doação de espermatozoides, ovócitos, embriões e gestação de substituição): Guia para pacientes.

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